PREFIXOS

A prefixação é um dos processos de criação de novas palavras bastante fácil. Os prefixos são morfemas que agregam significado sem alterar drasticamente o sentido da base, mas há casos que essa premissa não ocorre em todos os casos. Em “exceder”, “preceder” e “proceder”, não temos tão nítida a ideia de ceder, tampouco se percebe a derivação por meio dos prefixos “ex-“, “pre-” e “pro-“.

Prefixos: Quais são e de onde vieram?

Os prefixos utilizados em língua portuguesa são oriundos de duas línguas mortas: latim e grego. Ainda que haja falantes de grego atualmente, o grego do século XXI falado na atual Grécia não é o mesmo que cedeu prefixos e radicais para a composição do Português.

CORRESPONDÊNCIA DE PREFIXOS GREGOS E LATINOS

GREGOSLATINOS
A, AN (acéfalo, anônimo) DES, IN (desleal, incapaz)
AMPHÍ (anfíbio, anfiteatro) AMBI (ambidestro, ambíguo)
ANTÍ (antagonista, antídoto) AB (abuso, aberrar)
APÓ (apóstolo, apóstata)CONTRA (contraveneno, contradizer)
Dl (dígrafo, ditongo)BI, BIS (bípede, bisneto)
DIÁ (diáfano, diagnóstico)TRANS (translúcido, transpassar)
EK, EX (êxodo, exorcismo)EX (excêntrico, expatriar)
EN (encéfalo, energia)IN (ingerir, incrustar)
ÉNDON (endocárdio, endocarpo)INTRA (intravenoso, intramuscular)
EPÍ (epiderme, epitáfio)SUPER (superpor, supercílio)
EU (eufonia, evangelho)BENE (benefício, benévolo)
HÊMI (hemiciclo, hemistíquio)SEMI (semicírculo, semimorto)
HYPÓ (hipoglosso, hipótese)
SUB (subsolo, subterrâneo)
KATÁ (cataclismo, catástrofe)DE (decapitar, demolir)
PARÁ (paradigma, paralelo)
AD (advogado, adjacente)
PERÍ (perianto, perífrase)CIRCUM (circumpolar, circunlóquio)
SYN (simpatia, sincronia)CUM (cúmplice, colega)

Como pode complicar?

Figueiredo Silva e Mioto (2009) apresentaram um estudo defendendo a hipótese de que os prefixos e os sufixos “selecionam rigidamente a base com a qual se combinam”. Examinaram casos de sufixação que também foram observados na prefixação. Os autores comentam a dificuldade de saber o que é ou não um prefixo da seguinte maneira:

“Parece que a maior fonte de problemas envolvidos na prefixação reside na dificuldade de definir o que é um prefixo. Em geral, as definições são amplas o Pustejovsky (1995) ou assumindo, como fazem Basílio e Andrade (2005) a propósito do prefixo re-, que se trata de polissemia. 10 suficiente para recobrir tudo o que na tradição gramatical é considerado um prefixo.” Figueiredo Silva e Mioto (2009, pp. 9-10)

Cano (1998) vai ainda mais longe ao tratar da prefixação em termos técnicos. Nomenclaturas técnicas têm a finalidade de expressar exatamente apenas um significado, assim, não pode haver mais de um significado para determinado termo técnico.

“A dificuldade maior na interpretação semântica desses termos consiste no conhecimento semântico dos constituintes da palavra derivada, visto que a maioria se forma com elementos gregos presos. Assim, para a interpretação do termo hipolímnio é necessário que se conheça o conteúdo semântico dos constituintes: hipo ‘abaixo’, limnio ‘lago’, ou seja, o fundo dos lagos. Hiperalgia: alges(i)- ‘dor’, ‘-ia’ sufixo expressando afecção, moléstia, estado; hiper ‘excesso’, portanto, ‘estado em que a dor é intensa’. Macroblasto: macro ‘longo’, ‘grande’, blasto ‘broto’. Hipogeo: hipo ‘abaixo’, geo ‘terra’, e assim por diante.” Cano (1998, p. 78)

Gostaram de ver como um processo aparentemente inofensivo pode esconder problemas bem complexos?

Fontes:

CANO, Waldenice Moreira. PREFIXAÇÃO NO VOCABULÁRIO TÉCNICO-CIENTÍFICO. Alfa, São Paulo, 42(n.esp.): 71-91,1998. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/view/4044/3708. Acesso em: 22/02/2019

FIGUEIREDO SILVA, Maria Cristina; MIOTO, Carlos. Considerações sobre a prefixação. ReVEL, vol. 7, n. 12, 2009. [www.revel.inf.br]. Disponível em: http://www.revel.inf.br/files/artigos/revel_12_consideracoes_sobre_a_prefixacao.pdf. Acesso em 22/02/2019.

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