O Famigerado Comunicado do MEC

Eu posso errar alguma concordância, colocação pronominal ou até mesmo separação de sílabas neste modesto blog. Mas ver que um comunicado oficial, na página oficial do Ministério da Educação (MEC), contém um erro grosseiro de separação de sílabas, somado à falta de formatação que fosse visualmente confortável… fora o tom do comunicado. Vamos tratar do comunicado do MEC que tem provocado muitas emoções em muita gente…

O que é o MEC?

Na Era Vargas, em 1930, foi criado o Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública. A Educação estava atrelada a políticas de Saúde, Esporte e Meio Ambiente. Somente em 1953 a sigla MEC surgiu, agora passando a Educação a dividir um ministério com a Cultura, daí Ministério da Educação e Cultura (MEC). Em 1985, a Cultura ganhou status de Ministério, separando-se da Educação, mas esta ainda manteve a sigla. A partir de 1995, o MEC passou a cuidar apenas da Educação. Atual ministro: Ricardo Vélez Rodriguez.

A confusão antes do Comunicado do MEC

No dia 29/01/2019, o Jornalista Ancelmo Gois publicou em seu blog n’O Globo a seguinte chamada “Sob a aba de Vélez Rodríguez, Ines tira do ar vídeos sobre Marx, Engels e Nietzche”. Ines é a sigla do Instituto Nacional de Educação de Surdos. Segundo o jornalista, vídeos que contavam a história de Karl Marx, Friedrich Engels, Marilena Chauí, Antonio Gramsci e Friedrich Nietzche foram retirados dos arquivos virtuais do instituto. Não dá pra saber se esses conteúdos estavam no site anteriormente, mas de acordo com a nota do Instituto, o conteúdo efetivamente estava no portal.

Até o fechamento deste artigo, os nomes citados não constavam na página da TV INES. Marx e Engels são idealizadores do Socialismo/Comunismo; independentemente da visão política que cada um tem, suas obras, e as de Gramsci e Nietzche, são mundialmente conhecidas. Chauí é uma filósofa formada pela USP, foi secretária municipal de Cultura em São Paulo entre 1989 e 1992.

Reitero, não interessa o lado do espectro político meu, seu, do Presidente, do Ministro, informação deve ser difundida.

Em resposta à matéria, o MEC divulgou em sua página oficial do Facebook a nota a seguir.

O Comunicado do MEC – Original

O Comunicado do MEC – Revisado

Isso mesmo, separaram “responsabilidades” da maneira mais infantil possível. Não estamos tratando de adolescentes fazendo textão contra uma coisa “banal”. Este é um comunicado oficial explicando o ocorrido, mostrando qual o posicionamento do ministério frente ao caso e a defesa da pasta para com o seu ministro responsável.

Não vejo nenhum problema quando o ministério se propõe a defender um de seus integrantes, ainda mais quando se trata de um ministro. O problema, ao que me parece, é o tom do terceiro parágrafo. Podia ter parado no “debate de ideias”. Evocar a KGB, a militância comunista do jornalista e outras informações alheias ao assunto, não combina, penso eu, com uma postura ideal a ser adotada pela comunicação oficial do Ministério da Educação.

A formatação do texto é péssima, a utilização da caixa-alta é péssima para a leitura de textos longos. Ultimamente a equipe que trabalha na página tem aproximado a linguagem das postagens do MEC com a linguagem da internet, mas caixa-alta é empregada para dar a impressão de grito. Ainda tem o fato de alguns software editores de textos não reconhecerem palavras somente em maiúsculas como palavras, mas siglas.

Mas quem sou eu pra dizer como o MEC deve ou não redigir seus comunicados?

Fontes:

MEC – Apresentação

2 comentários em “O Famigerado Comunicado do MEC

  • 2 de fevereiro de 2019 em 11:00
    Permalink

    Á PARTE: CAIXA-ALTA PODE OU NÃO TER SIGNIFICADO DE GRITO. EU A USO SEMPRE QUE QUERO REALÇAR O PENSAMENTO, SEM ESTAR GRITANDO. ISTO É PRECONCEITO, FRASE FEITA, SENSO COMUM. USO MUITO NOS COMENTÁRIOS DO FACEBOOK, PORQUE NÃO GOSTO DOS TIPOS MIÚDOS, MINÚSCULOS. SOMENTE. E NÃO SOU EXCEÇÃO.

    Resposta
  • 2 de fevereiro de 2019 em 11:48
    Permalink

    Jacirema, entendo seu comentário e já vi muitas pessoas escrevendo somente em caixa-alta. Eu e você somos pessoas comuns em situações comunicacionais comuns, muito diferente da comunicação oficial na página oficial de um órgão governamental tão importante como o MEC. Há regras muito específicas para o uso de letras maiúsculas e minúsculas, conteúdo presente em qualquer gramática da língua portuguesa.
    “EU A USO SEMPRE QUE QUERO REALÇAR O PENSAMENTO, SEM ESTAR GRITANDO.” Concordo, e esse é um dos usos previstos na gramática, mas uma coisa é você marcar UMA palavra para REALÇAR o seu comentário, outra coisa é redigir um texto inteiro assim.
    Se a equipe tivesse feito um comentário ou um post comum, eu não teria visto problema.
    Dizer que o meu comentário foi “FRASE FEITA, SENSO COMUM”, ok… mas “PRECONCEITO”?

    Respeito a sua opinião e agradeço ter comentado, a gente sempre ganha quando conversa.

    =]

    Resposta

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