Action Figure ou Boneco?

Este artigo é voltado para aqueles que têm algum Action Figure e já ouviram: “empresta o seu boneco pro Juca brincar”. Considerando que esse “boneco” é Kratos, personagem principal nos videojogos da saga God of War, impresso em 3D, feito em plástico ABS, tamanho: 16 centímetros. Valor R$96,00. Você vai emprestar esse “boneco” para uma criança de 6 anos?

Todo esse cuidado não é à toa, por exemplo a miniatura da Arlequina (Harley Quinn), uma das principais inimigas do super-herói Batman, feita de plástico ABS, tamanho: 20 centímetros, valor comercial R$200,00.

Alguns action figures podem ser adquiridos por menos de R$10,00 ou por algumas centenas de reais. Personagem, material utilizado, tamanho, relevância do personagem e da obra em questão, todos esses fatores interferem no preço de venda.

O que é um Action Figure?

O termo Action Figure (Figura de Ação) foi criado pela Hasbro em 1964, para comercializar sua linha de bonecos GI Joe para garotos que se recusaram a brincar com “bonecas”, um termo associado principalmente como um brinquedo de uma menina.

Em português temos boneco e boneca. Geralmente a boneca é associada imediatamente a meninas, cabendo aos meninos os bonecos, efetivamente “bonecas voltadas para o público masculino”. Entretanto, em inglês, só havia o termo “doll”, aplicado aos dois tipos de público.

Por questões que envolvem machismo, marketing etc., a Hasbro “inventou” o termo Action Figure para poder vender “bonecas/dolls” para o público masculino sem afetar a virilidade dos meninos.

O boneco Johnny Hero foi produzido pela Rosko Industries em 1965, mas era conhecido como “Doll’s Boy”, “action figure” ainda não er amplamente utilizado.

Os personagens de “Comandos em Ação: GI Joe” tinham 11,5 polegadas de altura, sempre com tema militar, criados por Stan Weston. Eles apresentavam roupas que podiam ser trocadas e vários uniformes para atender a diferentes propósitos.

A popularidade dos Action Figures

Considerando Guerra Fria, aumento da influência dos Estados Unidos na cultura pop e crescente globalização, a Hasbro passou a licenciar o produto para empresas de outros mercados/países. Esses uniformes e acessórios eram idênticos aos fabricados para o mercado norte-americano, mas também havia conjuntos exclusivos do mercado local. Japão, Reino Unido, Brasil, Canadá, Espanha, México… Quase todos os países tinham bonecos nos moldes das “figuras de ação” da Hasbro.

Personagens de Star Wars, He-Man, alguns lutadores do jogo Street Fighter, e tantos outros genéricos não tinham tanta carga negativa (pelo menos não no meu círculo de amizades quando criança) ao serem chamados de bonecos.

Bonecos foram feitos para brincar, nos anos 60/70, mas com o tempo, essas “figuras de ação” foram perdendo a ação. Principalmente neste início de século XXI, uma action figure serve mais como item de decoração do que um “brinquedo brincável”.

O termo em inglês é utilizado hoje para manter um status de superioridade. Assim, há diferença entre essas estatuetas e os brinquedos de criança marcada pela classificação empregada. Uma boneca da Barbie dificilmente seria chamada de “action figure”, bem como uma action figure da Lara Croft dificilmente seria chamada de “boneca”.

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