Como fazer um romance de sucesso

Entre as diversas formas de registrar uma história, o romance é o mais complexo e mais denso. Um romance de sucesso pode ter um único volume ou ter sua narrativa dividida em vários volumes. Caso você esteja tenha lido um livro ou uma coleção e se empolgou com a carreira de escritor. Quero deixar aqui a “Receita para fazer literatura original com pouco trabalho”. Deixo claro que muitos amigos meus que são escritores estarão fazendo cara feia para o que apresentarei aqui. Para fazer um romance de sucesso, basta seguir o caminho da pedras que eu aprendi na faculdade.

Um Romance de Sucesso

Por definição, Romance é um gênero literário em prosa, mais extenso que o conto e a novela, no qual se contam histórias fictícias ou inspiradas na vida real e centradas em um enredo, na análise das personagens ou no exame de situações. O que apresento a seguir não trata de inspiração, mas de transpiração. Não há como fazer uma boa história se transformar num romance de sucesso sem qualquer esforço, mas é possível fazê-lo com pouco.

“Todo o drama e todo o romance precisa de:
Uma ou duas damas.
Um pai.
Dois ou três filhos, de dezenove a trinta anos.
Um criado velho.
Um monstro, encarregado de fazer as maldades.
Vários tratantes, e algumas pessoas capazes para intermédios.

Ora bem; vai-se aos figurinos franceses de Dumas, de Eug. Sue, de Vítor Hugo, e recorta a gente, de cada um deles, as figuras que precisa, gruda-as sobre uma folha de papel da cor da moda, verde, pardo, azul — como fazem as raparigas inglesas aos seus álbuns e scrapbooks, forma com elas os grupos e situações que lhe parece; não importa que sejam mais ou menos disparatados. Depois vai-se às crônicas, tiram-se um pouco de nomes e de palavrões velhos; com os nomes crismam-se os figurões, com os palavrões iluminaram…(estilo de pintor pinta-monos). E aqui está como nós fazemos a nossa literatura original.”

Podem pensar que essa é uma crítica à literatura do final do século XX, mas não é. Essa crítica foi escrita no livro “Viagens na Minha Terra” de Almeida Garrett, em 1846… Nesse livro Garrett despeja toda sua revolta com o que fizeram com o movimento literário que ele introduziu em Portugal. Se você acha que tem gente fazendo literatura de forma fácil apenas copiando o tema de um livro já consagrado e mudando apenas os nomes, isso ocorre desde quando o mundo é mundo. Garrett critica veementemente essa maneira fácil de escrita; antes do trecho citado acima ele diz:

“Sim, leitor benévolo, e por esta ocasião vou te explicar como nós hoje em dia fazemos a nossa literatura. Já não me importa guardar segredo; depois desta desgraça não me importa já nada. Saberás pois, ó leitor, como nós outros fazemos o que te fazemos ler.

Trata-se de um romance, de um drama — cuidas que vamos estudar a história, a natureza, os monumentos, as pinturas, os sepulcros, os edifícios, as memórias da época? Não seja pateta, senhor leitor, nem cuide que nós o somos. Desenhar caracteres e situações do vivo na natureza, colori-los das cores verdadeiras da história… isso é trabalho difícil, longo, delicado, exige um estudo, um talento, e sobretudo um tato!…”

Chamar o leitor de pateta, expor como se “dava Ctrl+C e Ctrl+V” para vender livros, coisa impensável nos dias de hoje. Garrett criticou os “macetes” inseridos no estilo literário que ele trouxe da Inglaterra. Se você reclama de livros com títulos que fascinam, mas o conteúdo é “água com açúcar”, fique sabendo que essa Literatura de Consumo vem desde o século XIX com livros de viagens, romances de bolso, etc.

Muitos escritores dessa época tinham que escrever constantemente, pois os direitos autorais eram vendidos e o escritor não recebia pela quantidade de livros vendidos e sim pela quantidade de títulos publicados. Se você acha um livro ruim, pare e leia outro, se o outro também for ruim, comece outro até encontrar um que realmente desperte o interesse na leitura.

Ver também

Almeida Garrett – Quem foi?

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