Metáforas: 3 Tipos

Vamos nos aprofundar um pouco mais nas metáforas e discutir como são criadas novas metáforas. Sim, é possível criar uma metáfora nova, mas algumas não são tão novas e outras nem parecem com uma metáfora. De cara, precisamos deixar uma coisa bem clara, nem tudo que se diz é metafórico. Há muitos equívocos e situações extremamente constrangedoras justamente por causa de uma metáfora ser tomada ao pé da letra.

Metáforas Novas

Este primeiro grupo comporta as metáforas novas, aquelas criadas no momento da comunicação entre  locutor e interlocutor. São frases e rearranjos que não estão no repertório comum das combinações já consagradas pelo seu uso, isto é, amplamente difundidas. Um Bom exemplo é “Marcos não sai do sofá, já até virou uma almofada.” Esse tipo de metáfora, apesar de ser facilmente reconhecida, não é utilizada de modo corriqueiro. Muito provavelmente não será utilizada por mais ninguém.

Metáforas Parcialmente Inusitadas

A metáfora parcialmente inusitada é aquela que altera ou estende a forma criativa das metáforas já existentes. Essas conceptualizações lidam com o repertório bastante difundido, porém cada usuário faz uso desse inventário de metáforas conceptuais à sua própria maneira.

A famosa “pedra no caminho” de Drumond é um bom exemplo de metáfora bastante conhecida na literatura. Essa poderia ser relacionada a uma “pedra no sapato” ou qualquer outra metáfora, com ou sem a palavra pedra. Esse processo é válido desde que denote a mesma dificuldade existencial pela qual passa o personagem principal. Chamar a morte de amiga seria levemente estranho, uma vez que ela separa o moribundo do mundo dos vivos, mas ao utilizar essa palavra tão afetuosa só faz sentido em um específico momento de uma cena específica.

Metáforas Cristalizadas

Aparentemente a metáfora cristalizada seria aquela que já consagrada pelo uso popular. Estas são justamente as metáforas parcialmente inusitadas. As cristalizadas elas são aquelas que não percebemos como Metáfora. Elas são utilizadas de uma maneira tão escondida que essa conceptualização metafórica se torna opaca. Nesse sentido, cristalizado não é sinônimo de cristalino.

Na frase “Meu coração é um balde despejado”, a primeira impressão que temos é da relação entre “coração” e “balde”, porém além dessa metáfora também temos aquela presente em “coração”, que faz relação com a vida emocional do poeta. Outro exemplo é dizer “estamos em fevereiro”. Logicamente isso não faria sentido, visto que um mês não pode ser um contêiner. Essa relação só é possível por meio das metáforas conceptuais.

Recomendo: A Teoria Cognitiva da Metáfora Literária

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