Rotacismo

Diferente do lambdacismo, que é a troca do “R” pelo “L”, o rotacismo é a alteração de algum fonema pelo “R”. Exemplos típicos desse tipo de metaplasmo na fala brasileira são as palavras “framengo” e “chicrete”, mas podemos incluir nessa lista o carioquíssimo “mermo”. Veremos como o rotacismo ocorre e quais são os fatores que contribuem para seu aparecimento na fala.

O que é Rotacismo?

Fazendo referência à letra grega Rô (ρ), que é a representação grafemática do fonema /r/, damos o nome de rotacismo ao tipo de metaplasmo que altera determinados fonemas das palavras pelo /r/. Temos os seguintes pares: almoço – *armoço; aluguel – *aluguer; Flamengo – *framengo; flauta – *frauta; flecha – *frecha. Note-se que “aluguer”, “frauta” e “frecha” estão registrados nos dicionários como formas variantes.

Considerando que que já disse no artigo sobre lambdacismo, o ponto de articulação da lateral e da vibrante é o mesmo, mas há nuances que fazem com que sejam fonemas diferentes. O ambiente que mais propicia essa alteração é o final da sílaba (Coda), por exemplo: falta – *farta; almoço – *armoço; salto – *sarto; alma – *arma; caminhão – *carminhão; maçã – *marçã; mesmo – *mermo; três – *trêr etc. Também pode ocorrer em travamentos silábicos, por exemplo: Cláudia – *cráudia; Flamengo – *framengo; chiclete – *chicrete etc. Esse último tipo ocorre mais com o “L” por conta da articulação desses fonemas.

Sabe-se que o fenômeno da rotacização ou o rotacismo se fez presente no processo de formação da língua portuguesa. Palavras que sofreram a transformação do L em R nos encontros consonantais, como flaccu (latim) para o conhecido fraco ou mesmo plaga (latim) para praga, é representado no primeiro verso, quando Adoniran tanto grafa quanto canta “frechada” ao invés de flechada. (Jogas & dos Santos Gomes, 2003 p. 28)

Isso mostra que algumas transformações fonéticas ocorreram na passagem do latim para o português. Não podemos negar que há diferença de sentido entre falta (ausência) e farta (abundância), alma (metafísica) e arma (instrumento bélico), flagrante (evidente) e fragrante (cheiro), mas os pares maçã/*marçã, asterisco/*arterisco, Flamengo/*framengo, entre tantos outros, não evocam significados. Se há diferença de sentido gritante entre alma/arma, não encontramos diferença semântica entre chiclete/*chicrete.

Fonte:

JOGAS, Mônicas Guedes; DOS SANTOS GOMES, Nataniel. ADONIRAN BARBOSA, O DEFENSOR INVOLUNTÁRIO DO COMBATE AO PRECONCEITO LINGÜÍSTICO. Soletras, n. 5-6, p. 22-30, 2003. Disponível em:https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/soletras/article/view/4454/3257 Acesso em 08/05/2019.

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