Conjunção

Vamos tratar de outro grupo de palavras que não exerce nenhum tipo de função sintática na frase, porém tem muita importância: as Conjunções. Conjunção é uma palavra que une basicamente dois elementos que possuem as mesmas características, sejam elas sintáticas ou morfológicas. Caso haja duas orações contendo características diferentes, a que começa com a conjunção exerce alguma função em relação a algum termo da outra oração, como ocorre nas orações subordinadas.

TIPOS DE CONJUNÇÃO

Podemos separar as conjunções em dois grandes grupos: as Coordenativas e as Subordinativas. As conjunções coordenativas são cinco: Aditivas, Adversativas, Alternativas, Conclusivas e Explicativas. As conjunções subordinativas são dez: Causais, Consecutivas, Concessivas, Finais, Condicionais, Proporcionais, Conformativas, Temporais, Comparativas e Integrantes.

Conjunção Coordenativa

Para que dois termos possam ser coordenados, deve-se ter em mente que ambos compartilham as mesmas características sintáticas. Assim, não há relação de dependência sintática nos exemplos deste grupo.

1. Aditivas

Relacionam ideias semelhantes. São duas: “e” e “nem”. A primeira une duas afirmações; a segunda (equivalente a “e não”), duas negações.

  • O médico veio e telefonou mais tarde.
  • O médico não veio, nem telefonou.

2 . Adversativas

Relacionam argumentos contrários. Além do “mas”, também são adversativas: “porém”, “todavia”, “contudo”, “entretanto”, “no entanto”, estas todas são sinônimas.

  • Gosto de navio, mas prefiro avião.
  • Gosto de navio, porém prefiro avião.
  • Gosto de navio, todavia, prefiro avião.
  • Ele falou bem; mas, não foi como eu esperava.
  • Ele falou bem; porém, não foi como eu esperava.
  • Ele falou bem; todavia, não foi como eu esperava.
  • Ele falou bem; entretanto, não foi como eu esperava.

Ao contrário de “mas”, que se usa unicamente em começo de oração, as demais conjunções adversativas podem figurar ou no rosto da oração, ou depois de um dos termos dela:

  • Gosto de navio, porém prefiro avião.
  • Gosto de navio; prefiro, porém, avião.

3 . Alternativas

Utilizadas quando as opções são excludentes. O tipo mais comum é “ou”, repetido ou não. Outras que indicam alternação são: “ora… ora…”, “quer… quer…”, “seja… seja…”.

  • Ora ele admite, ora ele nega.
  • Quer diga sim quer não.
  • Ou diz sim, Ou diz não.
  • Seja neste mês, seja no próximo, iremos pagar todas as dívidas.

4 . Conclusivas

Indica que o segundo elemento é a conclusão do enunciado no primeiro. São: “logo”, “pois”, “portanto”, “consequentemente”, “por conseguinte”, etc.

  • Teu carro já está velho; logo, não pode subir serra.
  • Foste injusto com teu amigo; deves, pois, desculpar-te.

A conjunção “pois”, conclusiva, não se emprega em começo de oração, mas depois de um dos seus termos.

5. Explicativas

Relacionam pensamentos em sequência justificativa, de tal forma que a segunda frase explica a razão de ser da primeira. São: “que”, “pois”, “porque”, “porquanto”.

  • Não lhe ofereça carne, que ela é vegetariana.
  • Jesus chorou, pois Lázaro era seu amigo.
  • Espere um pouco, porque ele não demora.

Conjunção Subordinativa

Neste grupo não há paridade entre as orações, deve-se ter em mente que as orações não compartilham as mesmas características sintáticas. Assim, há relação de dependência sintática nos exemplos deste grupo.

1. Causais

São as que iniciam oração subordinada que exprime a causa, o motivo, a razão do enunciado na oração principal. Estão nesse grupo: “que”, “porque”, “porquanto”, “como”, “já que”, “desde que”, “pois que”, “visto como”, “uma vez que”, etc.

  • Ele foi-se embora, porque não podia continuar chorando.
  • Como ficaste rico de repente, estás a gastar sem medida!
  • Porque ouviste o sinal, deves parar.

2 . Concessivas

Iniciam a oração subordinada que deixa claro que nenhum obstáculo – real ou suposto – impedirá ou modificará a declaração da oração principal. Fazem parte desse grupo: “embora”, “conquanto”, “ainda que”, “posto que”, “se bem que”, etc.

  • Comprarei o livro, embora o ache caríssimo.
  • Posto que estivéssemos cansados, prosseguimos a viagem.
  • Fomos viajar, ainda que não todos.

3 . Condicionais

Marcam que a principal só é possível mediante à existência da subordinada. Por exemplo: “se”, “caso”, “contanto que”, “sem que”, “uma vez que”, “dado que”, “desde que”, etc.

  • Irei a casa, se puder.
  • Posso contar o que aconteceu, contanto que você guarde segredo.
  • Dado que a chuva não caiu, vamos à praia.

4. Conformativas

Existem aquelas que iniciam uma oração subordinada que exprime um fato em conformidade com outro expresso na oração principal. As principais são: “como”, “conforme”, “consoante”, “segundo”, etc.

  • Como disse Rui Barbosa, “A pátria não é ninguém: são todos.”
  • Resolvi o problema conforme o professor me ensinou.
  • Tudo ficou resolvido consoante as novas regas.

5. Comparativas

Comparam uma e outra oração. Por exemplo: “que”, “do que” (relacionados a mais, menos, maior, menor, melhor, pior), “qual” (relacionado a tal), “como” (relacionado a tal, tão, tanto); “como se”, etc.

  • Este dicionário é mais completo que o meu. (superioridade)
  • Nada incomoda tanto aos homens maus como a luz, a consciência e a razão. (igualdade)
  • A prata vale menos do que o ouro. (inferioridade)

6 . Consecutivas

Ocorrem quando a oração que exprime o efeito ou consequência do fato expresso na oração principal. A unidade consecutiva é “que”, que se prende a uma expressão intensiva como “tal”, “tanto”, “tão”, “tamanho”, na oração principal. Por exemplo: “que” (relacionado com tal, tão, tanto, tamanho), “de modo que”, “de maneira que”, “de sorte que”, “de forma que”.

  • Tio Cosme era tão gordo, que a besta quase não o aguentava.
  • Quase ninguém frequenta teatro; de sorte que os artistas estão em crise.
  • Os vícios são tão feios que, ainda enfeitados, não podem inteiramente dissimilar a sua fealdade.

7. Finais

Utilizadas quando uma oração que exprime a intenção, o objetivo, a finalidade da declaração expressa na oração principal. As mais comuns são: “Para que”, “a fim de que”, “porque”, “que”, etc.

  • Ele mentiu para que o deixassem sair.
  • Insisto porque me devolvas os documentos.

8. Proporcionais

Iniciam oração que exprime um fato que ocorre, aumentando ou diminuindo na mesma proporção daquilo que se declara na oração principal. As principais são: “à medida que”, “ao passo que”, “à proporção que”, etc.

  • A medida que remávamos, eu lhe ia contando a história da minha vida.
  • O anão quanto mais alto sobe, mais pequeno se afigura.
  • Progredia à medida que se dedicava aos estudos sérios.
  • O ruído aumentava à proporção que penetrávamos na selva.

9 . Temporais

São as que iniciam uma oração que exprime o tempo da realização do fato expresso na oração principal. As principais conjunções e “locuções temporais” são: “apenas”, “mal”, “quando”, “até que”, “assim que”, “antes que”, “depois que”, “logo que”, “tanto que”, etc.

  • Apenas a vi, marejaram-me as lágrimas.
  • Restituir-lhe-ei os livros, tanto que você deles precise.
  • Quando disse isso, ninguém acreditou.
  • Logo que saíram, o ambiente melhorou.

10. Integrantes

As conjunções que caracterizam as Orações Subordinadas Substantivas. São duas: “que” (para a afirmação certa) e “se” (para a incerta).

  • Percebi que alguém entrou na sala.
  • Não vi se os alunos já chegaram.
  • Esperamos que cheguem cedo.
  • Não sei se vai chover.
  • A verdade é que todos se saíram bem.

CUIDADO!!!

As palavras que, se, como, entre tantas outras, podem aparecer em mais de um contexto, seja integrante, final, condicional ou quaisquer outros; por isso analise o período inteiro, não se prenda a “fórmulas mágicas”. Entenda as relações entre os dois termos interligados pela conjunção em questão para a correta descrição da mesma.

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