Quando falta um Objeto Direto

Quando vamos comunicar uma notícia, temos que nos preocupar com três coisas básicas: o ocorrido, para quem vamos passar a informação é como isso será feito. Não sou formado em jornalismo, mas em Letras. Não vou discutir o que pode ou não ser irrelevante para um jornalista, mas farei uma análise linguística. O que acontece quando falta um objeto direto numa frase inédita?


Faltava um objeto direto?

No dia 25/10/2017, num portal de notícias, percebi algo muito interessante numa matéria do Jornal Extra, na versão online. Faltava o Objeto Direto na frase.

O Objeto Direto é um termo essencial para o entendimento da frase. A chamada da matéria diz: “Cefet inscreve para 325 vagas em cursos técnicos gratuitos no Rio“. A falta de pontuação no final da frase, nesse caso, é o menor dos problemas.

O verbo “inscrever” pode projetar os seguintes argumentos: um externo, o sujeito, e um interno, o objeto direto. Teoricamente, onde esse argumento interno será inscrito, não é importante sintaticamente. Mas além de inscrever alguém, a pessoa pode-se inscrever, tida como ação reflexiva.

O problema da chamada está no fato de apresentar o sujeito (Cefet) sem o objeto direto. Quem será inscrito pela Cefet nas vagas disponibilizadas?

Não é uma questão de ser puritano com a língua ou não, essa frase não tem sentido nela mesma. O leitor deve fazer um exercício cognitivo para entender o que está escrito.

Com a falta da pontuação no final da frase, espera-se que, ao abrir a matéria, seja dito quem será inscrito nas vagas mencionadas.

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Por que eu entendo essa frase?

Do ponto de vista sintático, essa frase tem sérios problemas, como a falta de pontuação indicando fim de frase e a falta de objetos direto. Mas ela é  completamente ininteligível?

Precisamos ter em mente que somente pessoas podem ser inscritas em “vagas de cursos…”. Haveria a possibilidade de inscrever outra coisa? Talvez, num contexto muito restrito, outras instituições poderiam ser inscritas em algum cadastro para receber as tais vagas.

O tempo verbal empregado não seria o mais recomendado, uma vez que a inscrição ainda ocorrerá. Mas o uso da forma de Presente do Indicativo pode passar ideia de passado habitual ou de futuro, aqui é empregado conforme o segundo uso.

É nesse tipo de frase que percebemos duas coisas importantes:

1 – Há elementos importantíssimos que devem estar presentes na frase, por questões sintáticas ou semânticas.

2 – Nossa mente é capaz de completar o sentido de frases aparentemente sem lógica com base em alguns pressupostos genéricos.



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