Verbo: comentários gerais

Existe Oração sem Sujeito, Oração sem Objeto Direto, mas não existe Oração sem Verbo. Essa é a classe de palavras mais importante, na minha opinião. Verbos não são essenciais para a comunicação. Pode-se expressar uma ideia sem a necessidade de um verbo. O verbo sempre indica uma ação.

Esse tipo de expressão torna a frase muito mais rica, permitindo acesso a uma série de informações relevantes. Em toda língua natural, verbos são as palavras mais complicadas e mais complexas de uma língua. Não importa se a língua é morta ou falada por apenas um grupo pequeno de falantes, verbos sempre são mais complexos. Dada a amplitude deste assunto, o mesmo não será esgotado neste artigo, mas serão necessários outros para complementar as informações aqui prestadas.

CONCEITO DE VERBO

Já sabendo que verbos caracterizam ação, essa já é uma informação relevante para distinguir verbo das demais classes de palavras. Além disso, a composição morfológica do verbo não se dá apenas por prefixos e sufixos, como aqueles formadores de substantivos adjetivos e advérbios, por exemplo.

Verbos precisam passar 5 ideias ao mesmo tempo, estas informações são expressas por meio de desinências que informam Modo, Tempo, Número, Pessoa e Voz. Cada língua tem uma maneira particular de expressar essas características. No português, tempo e modo são apresentados em uma desinência só; número e pessoa, em outra desinência. já a voz é caracterizada principalmente pela organização sintática dos verbos e seus auxiliares.

O MODO DO VERBO

O Modo é a maneira como o falante entende uma determinada ação, seja ela a explicação ou apresentação de um fato real, ou uma possibilidade que se confirme ou não, O modo Imperativo é aquele ao qual falante se utiliza para impor sua vontade ao seu interlocutor. Podemos dizer que as formas nominais do verbo também indicam modo na forma de substantivo, de adjetivo ou de advérbio.

Os Modos Finitos (ou desenvolvidos):

  • Indicativo: Informação real, ação objetiva.
  • Subjuntivo: Informação irreal, ação subjetiva.
  • Imperativo: Ordenança, imposição da vontade do falante.

Os Modos Infinitos (ou reduzidos):

  • Infinitivo: Forma nominal, características semelhantes às do Substantivo.
  • Particípio: Forma nominal, características semelhantes às do Adjetivo.
  • Gerúndio: Forma nominal, características semelhantes às do Advérbio.

O TEMPO DO VERBO

A questão do tempo precisa ser muito bem definida. Precisamos saber se o que está sendo comunicado é um texto Narrativo ou um texto Argumentativo. Basicamente, o que todas as línguas têm em comum é a noção de Passado, Presente e Futuro. Cada língua trata morfologicamente desses tempos de forma muito particular. A língua portuguesa possui desinências específicas para determinado tempo a depender do modo empregado. Somente os modos indicativo e subjuntivo possuem essa divisão temporal, o imperativo e as formas nominais do verbo não passam informações de Passado, Presente e Futuro.

Modo Indicativo

  • Presente: Ação em andamento.
  • Pretérito Imperfeito: Ação passada sem conclusão. Tempo característico da Narração.
  • Pretérito Perfeito: Ação acabada. Tempo característico da Argumentação, do Discurso.
  • Pretérito Mais-que-perfeito: Ação acabada anterior a outra ação também acabada. Tempo característico da Narração.
  • Futuro do Presente: Expectativa de conclusão de algo. Em alguns casos é utilizado como Imperativo ou para expressar incerteza.
  • Futuro do pretérito: Expressa uma ação que poderia ter acontecido, caso um determinado evento tivesse sido ocorrido.

Modo Subjuntivo

  • Presente: Expressa uma ação presente, ou futura, indicando desejo ou hipótese. Geralmente precedido da conjunção “Que”.
  • Pretérito imperfeito: Expressa acontecimentos condicionados a outros eventos.  Geralmente precedido da conjunção “Se”.
  • Futuro: Expressa a possibilidade de algo acontecer. É um futuro incerto.  Geralmente precedido da conjunção “Quando”.

CUIDADO!

1 — A diferença entre os futuros, o do presente do indicativo e o do subjuntivo, está na convicção do falante de que aquilo irá acontecer ou não. Havendo certeza, emprega-se o futuro do presente do indicativo; em caso de incerteza, emprega-se o futuro do subjuntivo.

2 — Admite-se que o Imperativo só tem um tempo — o presente —, que também se aplica às ordens que se dão para o futuro e o passado.

  • Faça o que eu lhe digo.
  • Faça o que eu lhe disser.
  • Faça o que eu lhe disse.

O NÚMERO E A PESSOA DO VERBO

Número e Pessoa são dois conceitos gramaticais difíceis de dissociar quando falamos de verbos em português. Número se refere a Singular ou Plural; Pessoa se refere as seis possibilidades de sujeito em português. Cada desinência remete somente a um tipo de pronome pessoal reto.

Obs.1: As desinências de modo e tempo e de número e pessoa, além das questões morfofonêmicas que envolvem esses sufixos, serão abordadas em outro artigo.

A VOZ DO VERBO

Entenda por Voz o processo que expressa a relação entre a ação verbal e o grau de independência do sujeito. São três tipos de organização sintática que caracterizam a voz do verbo: Voz Ativa, Voz Passiva e Voz Reflexiva.

VOZ ATIVA: O Sujeito é o agente da ação indicada pelo verbo:

  • O marido deu flores à mulher errada.
  • Um incêndio destruiu o Museu de História Natural do Rio de Janeiro.

VOZ PASSIVA: O sujeito é sofre o processo verbal, não há qualquer participação voluntária dele na ação em questão:

  • Vendeu-se o velho casarão.

Esta voz também pode ser representada por uma locução de “ser + particípio passado” do verbo principal:

  • Foi vendido o velho casarão.

VOZ REFLEXIVA: É um processo que apresenta a vontade do sujeito, mas essa mesma ação recai sobre ele. O sujeito é, ao mesmo tempo, o agente e o paciente da ação:

  • Getúlio Vargas matou-se com um tiro no peito.

NOTA:

Rocha Lima chama a atenção para a Voz Dinâmica, na qual se exprime a mudança de estado do sujeito sem vontade dele:

  • Fernanda feriu-se num espinho da rosa.

“Fernanda ficou ferida num espinho da rosa”, mas não de forma intencional. Essa modalidade pode traduzir, segundo o autor, “uma atividade interna que se passa com o sujeito, sem que, igualmente, tenha ele contribuído para tal”, por exemplo:

  • Os cristãos arrependem-se de seus pecados.
  • O gelo derreteu-se.
  • A epidemia alastrou-se.

Obs.2: As questões sintáticas e semânticas que envolvem voz ativa, voz passiva e voz reflexiva serão abordadas em outro artigo.

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