Análise do Hino Nacional Brasileiro

Dia 07 de Setembro é comemorado no Brasil o Dia da Proclamação da Independência das terras brasileiras do domínio de Portugal, em 1822. O Brasil deixa de ser colônia portuguesa, já considerado Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, elevação obtida em 1815 e após as grandes vantagens adquiridas com a chegada da Corte em 1808. Agora, como uma nação independente e autônoma, obtém essa Independência não por meio de guerra ou por forte aclamação popular. O então príncipe Dom Pedro IV, em viagem a São Paulo, recebeu uma carta de sua esposa, Dona Leopoldina, informando a situação caótica em que se encontrava o Rio de Janeiro, capital do Brasil. Então, às margens do rio Ipiranga, proferiu o famigerado “Independência ou Morte”, mensagem eternizada no Hino da Independência. Isso é o que consta nos livros de história. O agora Imperador Dom Pedro I passa a ser o governante das terras brasileiras. Vamos agora a uma análise minuciosa do Hino Nacional Brasileiro.

Hino Nacional Brasileiro: Informações Gerais

A família real se vê forçada a retornar para Lisboa, capital do Reino Português Porém, em 1820, porque uma revolução liberal eclodiu em Portugal. Antes de sair, D. João VI nomeia o seu filho mais velho, D. Pedro IV, como Príncipe Regente do Brasil. A aristocracia portuguesa tinha a intenção de rebaixar o Brasil ao estado de Colônia, o que não foi do agrado das então elites brasileiras. A década de 1820 foi bastante conturbada, contando com diversos conflitos e revoltas no continente americano e na Europa.

O estilo literário que serviu de base para a letra do Hino Nacional parnasianismo, cujas principais características são: Vocabulário rebuscado; Métrica regular com preferência pelo verso alexandrino (doze sílabas); Gosto pelo soneto; Rima regular; Rimas raras e artificiais; Descritivo e Narrativo; Poucas figuras de linguagem. Joaquim Osório Duque Estrada, autor da letra do hino nacional brasileiro, utilizou várias metáforas para enaltecer o Brasil, lançando mão de uma métrica parnasiana “salpicada” de características românticas. O arranjo musical foi deito por Francisco Manuel da Silva, em 1831, mas a letra só foi oficializada em 1922.

A letra do Hino Nacional foi composta já no período da Velha República, diferentemente do Hino da Independência, que foi composto pelo próprio imperador D. Pedro I. Existe legislação específica para os símbolos nacionais, inclusive foi feito um concurso público para a composição da atual letra.

HINO NACIONAL BRASILEIRO: Análises

Primeira parte

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.”

O sujeito do primeiro verso são “as margens plácidas do Ipiranga”, elas ouviram “o brado retumbante (forte, que ecoa) de um povo heroico”.  Os dois últimos versos dessa estrofe poderiam ser reescritos assim: “E o sol da Liberdade brilhou no céu da Pátria nesse instante em raios fúlgidos (brilhantes, luminosos)”.

“Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!”

“Se nós conseguimos conquistar com firmeza a garantia dessa igualdade, no seio (interior) da Liberdade, desafiamos a morte pela igualdade libertadora.

“Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!”

Um estribilho que é uma declaração de amor à Patria.

“Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.”

O Brasil é o suprassumo de tudo que há de melhor, desde que brilhe “em teu formoso céu, risonho e límpido” a constelação do Cruzeiro do Sul, que só pode ser vista no Hemisfério Sul. Como não há a possibilidade de o Brasil mudar de hemisfério, tomara que não, o amor e a esperança sempre estarão por aqui.

“Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.”

Aqui o autor ressalta a grandeza do Brasil, não só pela extensão territorial, mas suas características, “belo, forte, impávido colosso (destemido gigante)” serão eternas.

“Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!”

Este segundo estribilho pode ser reescrito assim: “Brasil, Ó Pátria amada, tu és uma terra adorada entre outras mil”.

“Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!”

Aqui o autor evidencia que o Brasil é favorecedor (gentil) dos seus nativos, isto é, dos brasileiros. Não é claro o posicionamento em relação aos índios, esse trecho deve estar se referindo apenas aos brancos nascidos aqui (mas essa é uma outra discussão).

Segunda parte

“Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!”

Fazem-se elogios às magníficas terras brasileiras, banhadas por um oceano e pela luz de um céu grandioso (interessante que “profundo” indica “para baixo”, mas o céu fica “para cima”), o Brasil é aclamado “a joia das Américas que brilha no Novo Mundo”.

“Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,
‘Nossos bosques têm mais vida’,
‘Nossa vida’ no teu seio ‘mais amores’.

Aqui a inversão é clara, sendo a seguinte reedição: “Teus campos, risonhos e lindos, têm mais flores do que a terra mais exuberante (garrida; não confundir com aguerrida = armada, violenta). Nota para os dois últimos versos copiados da segunda estrofe da Canção do Exílio, de Gonçalves Dias: “Nosso céu tem mais estrelas, / Nossas várzeas têm mais flores, / Nossos bosques têm mais vida, / Nossa vida mais amores.” Por isso esse trecho vem entre aspas, pois é uma citação.

“Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
– Paz no futuro e glória no passado.”

Outra inversão bem estranha para os brasileiros do século XXI, pode-se reescrever esses dois primeiros versos assim: “O lábaro que ostentas estrelado, Brasil, seja símbolo de amor eterno”. Considerando que verde e amarelo são cores presentes na tradição brasileira desde o Império, o autor almeja que a “glória do passado” imperial e a “Paz no futuro” da República estejam representadas na Bandeira (flâmula) do Brasil.

“Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.”

A última estrofe mostra o quão apaixonado e aguerrido é o povo brasileiro, que está pronto para qualquer batalha em caso de guerra.

HINO NACIONAL BRASILEIRO: Letra Completa

Segue a letra oficial completa do Hino Nacional

Primeira parte

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Segunda parte

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores”.

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
– Paz no futuro e glória no passado.

Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

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